Tenho tanto sentimento preso tentando romper a barreira do meu corpo que tenho perdido o sono. E só quando tenho o travesseiro sob minha cabeça é que sinto o peso da minha in-felicidade.
Entre passos que não dou, horas que não passam, cartas que não mando, e-mails que deleto sem ler, livros que devoro, amores que crio, músicas que faço, lápis que aponto, unhas que recebem meu vermelho, quilos que engordo, sonhos que consumo, amigos que não entendem, solidão que aumenta, companhia que falta, dívidas que acumulo, pontas de facas que esmurro, sapos que engulo, desaforos que vêm pra casa, previsões que não se cumprem, carnavais que não pulo, primavera que não começa, eu ainda te espero.
"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica, psicanálise, drogas, acupuntura, suicídio, ioga, dança, natação, cooper, astrologia, patins, marxismo, candomblé, boate gay, ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?"